segunda-feira, 30 de novembro de 2009

UM DIA A GENTE APRENDE


Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.


Depois de um tempo você aprende que o sol queima se se expor por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam. E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.


Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam. Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.


Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tiradas de você muito depressa, por isso sempre deve deixar as pessoas que ama com palavras amorosas, pois pode ser a última vez que as vê. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, e nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não deve se comparar aos outros, mas com o melhor que se pode ser.


Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo; mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.


Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a se levantar. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas, do que quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.


Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.


Você aprende que realmente pode suportar porque realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!


Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar…


William Shakespeare imagem google.com

domingo, 25 de outubro de 2009

Pertencer



"Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado com papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, então raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos."

Clarice Lispector -imagen Google.com

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Equilíbrio


Não há com fingir, admito a falta de equilíbrio. Falta-me um toque disso que desconheço, por isso volto ao nada, ele evita que haja escolha.Existem coisas que não escolhemos, existe o admirável poder da escolha, o nada subitamente vago,friamente não lembrado e sem contexto,o que não existiu não causa dor,aquilo que não existir não causará marcas.Vejo-te e sei como estás, falar-lhe foi dolorido, mas como poderia plantar uma nova semente?Certamente seu crescimento retardaria, é a falta de equilíbrio, tudo o que contemplo sobre a palma de suas mãos é de fato tentador, mas do que adianta enfeitar uma caixa vazia quando tudo o que tenho é o vazio do nada para retribuir-lhe? Certa vez em mim houve o tudo, não tinha a quem oferecer. Estes pés já caminharam na tentativa de fugir, fico aqui.Veja-me.É agradável contemplar-me?Se sim isso tudo é perfeito, se não, não se compadeça, o equilíbrio é meu alvo, pretendo encontrá-lo logo mais, não pense em nada, continue a sorrir em minha direção, és tão feliz!!Encanta-me esta clareza. Mas falta-me algo que hei de encontrar,equilíbrio diante do nada.

imagem:Google.com

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Voar e deixar


Já faz algum tempo que a escrita se calou, assim como muitas perguntas calaram-se sem respostas. Não que não surjam palavras,mas elas brotam em uma desordem contínua.
Conhecer o silêncio do querer profundo não foi tão aplausível, mas, algumas fases, por mais doloridas que sejam, são necessárias para a autoconfiança. Aquilo que almejamos nem sempre nos trazem calor,e por mais inexplicáveis que sejam algumas situações,não faria bem recordar e debater seus motivos,
Custa-nos dar os primeiros passos sozinhos, as mãos travam na direção da mão que nos seguram, mas um dia temos que andar só, isso realmente custou aprender.
Sobre a brisa calma fecho os olhos e vejo-me em liberdade. Sim.Estou certa disso pelo futuro que contemplo e não temo,é terrível e doloroso sorrir para as renuncias, porém, mais doloroso ainda seria congelar a pele em um frio sem fim.Reflito que o impossível seja mais prazeroso do que o que pode ser,ele nos leva a buscar e buscar até cansarmos e continuarmos querendo,noto que aquilo que podemos perde o brilho sedutor da busca.
Hoje, mesmo sem medo, pergunto-me, por que algumas lágrimas caem ao escrever isto, não sei se sou tão emotiva assim, na verdade quero o nada, almejo tudo, mas que o medo passe bem longe dos meus passos. se a vida é um grande livro a ser escrito, esse sentimento só traz atraso de capítulo ou perda total de felizes para sempre.
Penso que o silêncio respeita, mas torna-se incômodo em alguns casos, não sou uma admiradora da espera, ela me atordoa, ”sinto que meus gestos não existem” enquanto assinalo para o futuro. Acreditar no ideais é realmente lindo, a confiança é muito subjetiva porque não pode ser medida,é o que espero pra mim,essa escrita é agradável,sorrio pra ela sem precisar de um ombro.Que eu não ouça murmúrios sobre a independência,porque seguir escorando sobre ombros emprestados não era nada agradável.
Existem momentos de deixar de procurar respostas, deixar de tolerar vários minutos de atraso, deixar de dar sinais para o que não vai parar nesse ponto.
E voar com asas potentes para o futuro, nítido, sem esperas, sem necessidades.

imagem:Google.com

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Saudade



Proponho definir saudade.
Simples.
Saudade é a falta de quem um dia esteve ao lado
É a dor da ausência
A alegria da doce recordação
A esperança de reencontrar logo
A perseverança de nunca esquecer
A angústia da demora em ver
A emoção de ouvir a voz
De sentir o perfume
De contemplar o olhar
De quase … tocar
Sem que isso seja possível
Nostalgia dos momentos
Que se foram ao vento
Mosaico de sensações
Emolduradas em reminiscências
Sôfrego, bucólico, contrito
Saudade é só … um sentimento.

Luiz Pessoa imagem:Google.com

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

Clarice
Lispector

Aqui está-se sossegado


Aqui está-se sossegado,
Longe do mundo e da vida,
Cheio de não ter passado,
Até o futuro se olvida.
Aqui está-se sossegado.

Tinha os gestos inocentes,
Seus olhos riam no fundo.
Mas invisíveis serpentes
Faziam-a ser do mundo.
Tinha os gestos inocentes.

Aqui tudo é paz e mar.
Que longe a vista se perde
Na solidão a tornar
Em sombra o azul que é verde!
Aqui tudo é paz e mar.

Sim, poderia ter sido...
Mas vontade nem razão
O mundo têm conduzido
A prazer ou conclusão.
Sim, poderia ter sido...

Agora não esqueço e sonho.
Fecho os olhos, ouço o mar
E de ouvi-lo bem, suponho
Que veio azul a esverdear.
Agora não esqueço e sonho.

Não foi propósito, não.
Os seus gestos inocentes
Tocavam no coração
Como invisíveis serpentes.
Não foi propósito, não.

Durmo, desperto e sozinho.
Que tem sido a minha vida?
Velas de inútil moinho —
Um movimento sem lida...
Durmo, desperto e sozinho.

Nada explica nem consola.
Tudo está certo depois.
Mas a dor que nos desola,
A mágoa de um não ser dois
Nada explica nem consola.

Fernando Pessoa