segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

sábado, 22 de janeiro de 2011

Simplesmete não sei...

Esse é o tempo, tem sido o tempo mais longo e árduo, tem sido seco, quase insuportável.



As palavras não servem, elas foram escritas amargamente, uma lágrima escorreu pela face ao contemplar o que será de agora em diante. Não será. Não há mais nada.


Tudo o que foi não é, e o significado dos bons momentos são fracos, lembrados fortemente e sem importância.


O amor acaba?Ou será que acaba com a gente?Acaba de tal forma que o mundo se cala, não há som algum agora, e algo dói por dentro, dói tanto. Não há remédio para a solidão.


Vejo a grande armadilha do destino, vejo-te indo ao encontro do teu novo querer, pois parece novo pra mim, novo, pois fingia não saber. Há uma ponta de inveja do seu desprezo tão natural, queria um pouco dele. Queria um pouco de você. Um pouco do seu ar.


Os pés perderam o chão. Foi uma espera inútil. Eu esperava por ti.


Hoje, espero livrar-me da dor que a esperança deixou, pois não há volta. Fecho meus olhos, não quero enxergar o que imagino, pois a cada vez que fecho os olhos lembro que não lembras.


Ah!O amor!Tanto que fugi, me pegou da pior forma! O amor que me jogou aqui, na solidão vendo sua sombra passar com outra pessoa, te odiando e desejando que seja feliz, pois conheço seu bom coração, feliz de quem desfrutar dele!


Perdi minhas forças. E minhas esperanças para você, digo você e eu, já acabaram.


O que faço com o que tenho?O que faço com o que você mesmo me deu?O que fazer com esse sentimento agora?
Não sei. Simplesmente não sei...


imagem:Google.com

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Ser feliz

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver

Apesar de todos os desafios,
Incompreensões e períodos de crise.


Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
E se tornar um autor da própria história.



É atravessar desertos fora de si,
Mas ser capaz de encontrar um oásis
No recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.



É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica
Mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou
Construir um castelo ...



Fernando Pessoa

A um ausente

Tenho razão de sentir saudade,



tenho razão de te acusar.


Houve um pacto implícito que rompeste


e sem te despedires foste embora.


Detonaste o pacto.


Detonaste a vida geral, a comum aquiescência


de viver e explorar os rumos de obscuridade


sem prazo sem consulta sem provocação


até o limite das folhas caídas na hora de cair.


Antecipaste a hora.


Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.


Que poderias ter feito de mais grave


do que o ato sem continuação, o ato em si,


o ato que não ousamos nem sabemos ousar


porque depois dele não há nada?


Tenho razão para sentir saudade de ti,


de nossa convivência em falas camaradas,


simples apertar de mãos, nem isso, voz


modulando sílabas conhecidas e banais


que eram sempre certeza e segurança.


Sim, tenho saudades.


Sim, acuso-te porque fizeste


o não previsto nas leis da amizade e da natureza


nem nos deixaste sequer o direito de indagar


porque o fizeste, porque te foste.
 
(Carlos Drummond de Andrade)

Li um dia, não sei onde

Li um dia, não sei onde,


Que em todos os namorados


Uns amam muito, e os outros


Contentam-se em ser amados.






Fico a cismar pensativa


Neste mistério encantado…


Digo pra mim: de nós dois


Quem ama e quem é amado?…






Florbela Espanca - Trocando olhares

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Escreve-me

Escreve-me ...

Escreve-me! Ainda que seja só

Uma palavra, uma palavra apenas,

Suave como o teu nome e casta

Como um perfume casto d'açucenas!

Escreve-me!Há tanto,há tanto tempo

Que te não vejo, amor!Meu coração

Morreu já,e no mundo aos pobres mortos

Ninguém nega uma frase d'oração!

Folhas leves e tenras de boninas,

Um poema d'amor e felicidade!





Não queres mandar-me esta palavra apenas?

Olha, manda então...brandas...serenas...

Cinco pétalas roxas de saudade...



Florbela Espanca

Saudades

Saudades! Sim... Talvez... e porque não?... Se o nosso sonho foi tão alto e forte. Que bem pensara vê-lo até à morte. Deslumbrar-me de luz o coração! Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão! Que tudo isso, Amor, nos não importe. Se ele deixou beleza que conforte. Deve-nos ser sagrado como o pão! Quantas vezes, Amor, já te esqueci, Para mais doidamente me lembrar, Mais doidamente me lembrar de ti! E quem dera que fosse sempre assim: Quanto menos quisesse recordar. Mais a saudade andasse presa a mim!




Florbela Espanca