
Uma história. Dois finais iguais por sinal.Pobre moça com sua história vivida,com sua esperança viva,forças lastimáveis,consumidas.
Caminha a passos lentos de sua trajetória confusa e incansável, ou melhor dizendo, outrora incansável,hoje, cansada pelo peso de tanta mágoa.A esperança não a deixou,entendo bem,sempre há um pequeno fio que transparece no olhar.
Tempos passados banhou-se em águas de perda, viu-se indo para fora, lançou com uma certeza incerta suas forças pelo ralo, aquelas águas não voltam.
Em meio a distancia de seu antigo alvo, nunca deixou de procurar por notícias, sabia bem que haviam notado que aquelas águas a lavaram e escorreram por seu corpo descendo por aquele miserável ralo levando todo o passado de seus sonhos. Sem sentido talvez,deleitou-se sobre as letras de seu autor,seu poeta,aquilo tudo que foi escrito era pra ela,era ilusão,era simplesmente tudo o que precisava,Dia após dia buscava por respostas,por palavras,e sentia-se completa ou queria definitivamente completar-se.
Doce moça, alimentou-se de todas aquelas admiráveis letras, encheu-se com algo que parecia puro, deixou todos os novos planos, estruturou-se em algo inexistente. Para enfim descobrir que aquilo não se referia a nada de sua história, seu admirável poeta lhe disse com suas próprias palavras, que o problema da moça era a leitura, ela lia algo que não se referia a ela.
Quanta personalidade em uma única pessoa. Como pode ser?!Ela transmitiu seus sinais, nada aconteceu pela segunda vez. Como pode ser se fazer de ignorante o autor a esse ponto?Ele sabia que a história precisava de um final. Ele sabia o quanto havia sofrido quando sua moça banhou-se em águas de desistência.Ele sentiu o vazio também.Aquilo para ela foi como tentar jogar para cima suas tolas tentativas.
Ela passou meses e meses buscando por suas palavras, por suas atitudes, por seus olhares, por seu gesto, Mas. nenhuma palavra foi dita,como se não houvesse passado,como se não tivesse experimentado este vazio.
Enfim chegou a hora de repetir a mesma história. Hoje, antes de entregar-se ao fim novamente, procurou pelo autor, o observou naquela reunião em que estavam, e aguardou por algo que obviamente não existiria, ele se aproximou e a cumprimentou friamente, o beijo em sua face foi tão seco que ela mal teve força para erguer-se em sua direção.
Entendeu então o poder da interpretação de uma leitura, entendeu que os autores nem sempre conhecem o amor, somente inventam aquelas palavras lindas e vazias, ela conheceu só, sentiu-se uma tola, enganada com todos os enganos criados por sua mente. Em uma atitude difícil,entra novamente em um mar sem fim,em busca de algo que a complete algo foi deixado para trás com tudo isso.O autor pode continuar a escrever,mas a magoa que transparece escorrendo pela face da moça cega o sentido de suas palavra,e escreve duramente para ele,com suas palavras no verdadeiro sentido,que desistiu desta ilusão que criou,vai hoje mesmo depois daquele beijo frio,procurar por calor,precisa de olhares,de palavras quentes,estendeu e esperou tanto por algo mas nada ele fez,desistiu.Pobre moça,seja feliz.
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